Hidrofólios — uma velha idéia nova

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Você já parou para reparar que seu carro quase não encosta no chão. A área de contato do pneu é mínima. Em um carro de 2 toneladas Só 12 cm de cada pneu encostam no chão. Isso ajuda a minimizar o atrito. Andar com pneus arriados aumenta muito essa área, fazendo com que a direção fique dura e o consumo de combustível vá para o espaço.

Seu carro é um veículo terrestre que fica 99% no ar. Já barcos são veículos aquáticos que ficam com 100% de suas partes inferiores submersas. A resistência é enorme, por isso navios são bem mais lentos que qualquer outro veículo. Então que tal fazer com que barcos funcionem… fora d’água?

A idéia não é nova. Foi criada por um italiano chamado Enrico Forlanini, no final dó Século XIX. Por volta de 1910 já haviam barcos passando de 65 km/h.

O conceito é bem simples: abaixo de um casco normal o barco tem um conjunto de hidrofólios, que nada mais são do que asas aquáticas. Usando a boa e velha aerodinâmica molhada, ou hidrodinâmica, a água passando em velocidade gera sustentação, empurrando o barco para cima. Em algum momento a gravidade equilibra a força ascensional, e o barco pára de subir. Se o projeto for bem-feito, todo o casco ficará fora da água.

Com isso o arrasto hidrodinâmico deixa de existir, o casco só enfrenta a resistência do ar, que é convenhamos bem mais chupeta do que a da água.

Essa tecnologia é usada em embarcações militares e de transporte civil, por décadas quem tinha grana fazia a travessia Rio-Niterói em 7 min em um aerobarco com hidrofólio, em vez da barca tradicional e seus intermináveis 20 minutos.

Hidrofólios (ainda) não são muito usados por motivos vários. Indústria conservadora, altos custos de manutenção, problemas em mar agitado, vulnerabilidade a obstáculos submersos e ambientalistas, que não gostam da idéia de lâminas percorrendo o fundo do mar a 80 km/h fazendo sashimi de baleia.

Já na área de navegação esportiva de alta performance, a história é outra. O barco da foto de abertura é um dos vários do Team Oracle USA, a equipe americana de iatismo que já venceu várias vezes a America’s Cup. Feitos com fibra de carbono e levando mais de 160 mil horas para ser construído, um barco desses tem vela rígida de 68 m, com 55% mais área do que a asa de um Airbus A380. A eficiência é tanta que ele consegue navegar a uma velocidade 2,5x maior do que a do vento.

Para evitar atrito, usam hidrofólios, nas condições ideais o barco fica 99% fora d’água. Só que isso exige técnicas de pilotagem diferente, então os tripulantes treinam em mini-hidrofólios. Veja que coisa aparentemente super-divertida:

OracleRacingTeam — Foiling camp finale: “Everyone has a smile on their face”

Depois, com know-how e experiência eles vão pro barco de verdade, e, meninos e meninas, é lindo:

ORACLE TEAM USA – Fun on Foils

Estamos vendo algo raro. Técnicas de construção da era espacial, modelos de computador, simulações, mecânica de precisão mas o resultado final é uma embarcação que os marinheiros dos primeiros barcos à vela, 5.000 anos Antes de Cristo não só entenderiam como após alguns minutos de explicação saberiam manejar.

P.S.: sim, é legal pra caramba de se ver mas quem acompanhou o desafio do Top Gear sabe que navegar num barco desses não é exatamente um cruzeiro

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