Hatred, violência gratuita e o medo da Epic Games

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Nas últimas horas um jogo chamado Hatred ganhou as manchetes de muitos sites, mas da pior maneira possível. Idealizado pelos poloneses da Destructive Creations, o game foi descrito por seus criadores como “um shooter de visão isométrica com uma perturbadora atmosfera de assassinatos em massa, onde o jogador assumirá o papel de um antagonista de sangue frio cheio de ódio pela humanidade.

Interpretar vilões em videogames não é uma novidade, mas então o que estaria causando tanta comoção? Pois a resposta está no assustador trailer de divulgação do jogo que tem sido apontado como um “simulador de assassinatos” e caso não esteja interessado em ver cenas bem fortes, vou deixar aqui a apresentação feita pela protagonista, para que você entenda a proposta do título.

Meu nome não é importante. O que é importante é o que irei fazer. Eu simplesmente odeio este mundo e os vermes humanos alimentando-se de seus corpos. Toda a minha vida é fria, um ódio amargo e eu sempre quis morrer violentamente. É hora da vingança e nenhuma vida merece ser salva, e levarei para a cova o máximo que puder. É hora de matar e de morrer. A minha cruzada genocida começa aqui.

Armado até os dentes, a partir deste momento o personagem sai às ruas matando todos os inocentes que encontra pela frente, sem motivo algum, sem zumbis os ameaçando, sem alienígenas tentando dominar o mundo e sem um exercito inimigo o perseguindo, apenas a mais pura violência gratuita que a mídia tanto gosta de explorar.

Segundo a Destructive Creations, o Hatred é uma resposta à tendência politicamente correta que apareceu na indústria de games, assim como a tentativa de vendê-los como arte de alto nível enquanto deixam de lado o entretenimento e se consideramos o quão divertido deve ser colocar uma arma na boca de uma mulher e explodir o seu cérebro ou esfaquear inúmeras vezes alguém caído no chão, talvez eles tenham razão.

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A repercussão em torno do jogo tem sido tão negativa que até mesmo a Epic Games resolveu agir. Como o título está sendo feito com a Unreal Engine 4, os poloneses acharam uma boa ideia utilizar o logo da ferramenta no trailer, mas os criadores do kit de desenvolvimento pediram que ele fosse retirado e embora eles não admitam isso, preferindo alegar que a marca foi utilizada sem autorização, na verdade não queria ver seu nome associado a algo tão controverso.

Particularmente acho o jogo de extremo mau gosto, algo que até poderia ter feito algum sentido há uns 20 anos, mas que hoje não tem motivo para existir, principalmente por estarmos vivendo um momento complicado onde pessoas da indústria são ameaçadas simplesmente por expressarem suas opiniões e defenderem suas ideologias.

Isso não quer dizer que eu seja a favor de que alguém se intrometa na criação e proíba o lançamento do Hatred, no entanto, me questiono se é esse tipo de game que quero jogar (não, não é!) e chego a pensar que se no cinema a violência gratuita pode entreter de uma maneira chocante, nos games ela normalmente faz a mídia parecer um adolescente revoltado que quer mostrar que cresceu, não percebendo o quão ridículas são suas atitudes.

 

PS: Para piorar ainda mais a imagem do projeto, o site Fuck No Video Games descobriu que o CEO da Destructive Creations, Jarosław Zieliński, apoia o Polska Liga Obrony, um grupo de extrema direita que entre outras cosias defende a islamofobia a a xenofobia. É, pelo jeito essa história ainda renderá muito.

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