Quem deve vigiar o que crianças jogam, os pais ou a escola?

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Vou contar uma coisa a vocês: embora eu venha de uma geração que cresceu jogando Mortal Kombat, eu concordo que deve ter sim limite do que as crianças e jovens devem ou não jogar, baseado em sua faixa etária. Importante frisar entretanto que essa é uma tarefa que cabe aos pais ou aos guardiões do menor, responsáveis diretos pelo bem-estar e formação dos mesmos.

Isso posto, não consigo compactuar com a decisão de algumas escolas do Reino Unido, que vão denunciar pais “negligentes” à polícia por deixarem os pequenos jogarem títulos não adequados.

Um grupo educacional da terra da Rainha chamado Nantwich Education Partnership está enviando alertas aos pais de alunos, dizendo que eles devem respeitar a classificação indicativa dos games e impedir que os jovens tenham acesso a títulos indicados para maiores como GTA V, Call of Duty: Advanced Warfare e outros. Até aí tudo bem, o conselho escolar pode e deve dar recomendações aos pais para que eles se atentem mais ao que seus filhos andam fazendo com seu tempo livre.

Só que na minha opinião qualquer coisa a partir daí se torna um problema sério. Na mesma carta enviada aos pais dos alunos, o grupo deixa claro que caso nada seja feito, os pais serão denunciados tanto à polícia quanto ao conselho tutelar:

Se o seu filho está autorizado a ter acesso a qualquer jogo ou produto que contenha classificação para maiores, nós somos aconselhados a entrar em contato com a polícia e a assistência social, pois isso é considerado negligência.”

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Senão vejamos: a classificação indicativa de games, introduzida nos anos 1990 justamente por causa de Mortal Kombat serve como um guia para os pais, a fim de escolherem de forma simples quais mídias são adequadas para determinada faixa etária. Ela nunca foi uma imposição, uma norma que deve ser seguida à risca. Até porque convenhamos, crianças têm percepções diferentes umas das outras, amadurecem de formas e em velocidade distintas e o que pode ser ofensivo ou chocante para um, pode não ser grande coisa para outra. Claro, é imprescindível que os pais estejam por perto para observar e dialogar com os filhos.

Ao tomar tal atitude o grupo educacional britânico está chamando a responsabilidade de controlar o que as crianças e adolescentes jogam para si, e ainda por cima procura punir os pais ou responsáveis.

A diretora do Pear Tree Primary School Mary Hennessy Jones comenta que “os pais acharam útil ter recomendações tão claras”. Claro, na base da ameaça fica fácil.

A meu ver seria o mesmo que um moleque ser pego na escola com uma Playboy e os pais tomarem sermão por permitir que ele tivesse acesso a uma revista de sacanagem. Quem vai impedir o garoto de comprar a mesma na mão do jornaleiro camarada? É a exata mesma coisa.

Enfim, a discussão toda é polêmica e no meu ponto de vista, a responsabilidade é dos pais. E não, eles não devem ser ameaçados com uma visita da polícia porque seu filho resolveu praticar golpes em GTA V.

Fonte: Sunday Times (paywall) via Engadget

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