O mais sonhado simulador


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Não foram poucas as vezes que nossa redação recebeu videos internacionais apresentando simuladores que não só acoplam volantes e pedaleiras, mas também agregam a movimentação engenhosa pouco entendida enquanto só as imagens resumiam a máquina.

Porém, assim que adentramos no Salão Internacional do Automóvel mês passado, iniciando a abertura do evento para a imprensa junto a políticos e empresários do setor, notamos uma esfera de aço, ainda em silêncio e coberta por um tecido negro, descansando em um pequeno estande. Logo, estaríamos ali para o primeiro “test-drive” jornalístico.

Com um situar honesto, não cabe entender – se não aos olhos da engenharia – porque a movimentação circular da cabine faz o gamer sentir a tal aceleração virtual. Afinal, subir, descer, e inclinar não parece trazer a real presença da inércia, frangem e os mais fiéis resultados de pista. Mas as aparências enganam… e muito!

A Brasil Gamer foi atrás e trouxe com total exclusividade detalhes técnicos de um brinquedo adulto que você também vai querer testar.

O dispositivo

Graduado em Engenharia da Computação, o brasileiro Jefferson Edwin Masutti descreve o trabalho projetado, iniciando detalhes sobre o dispositivo físico constituído por duas esferas concêntricas que seguem o princípio do giroscópio, colocando o usuário a aceleração devida, através de suas rotações, acionadas por um sistema distribuído micro controlado que supervisiona todo o processo. Evidente que quando a esfera está fechada, ou seja, quando o jogador não tem a visão externa de seu cockpit, a sensação é incrivelmente realista perante os comportamentos do carro na pista, já que a visão será direcionada na tela, compartilhando seus sentidos ao jogo, e não no equipamento em que se encontra.

“A fim de proporcionar experiência audiovisual, a esfera conta com um projetor 3D que gera a imagem de alta definição em um espelho convexo.”

Jefferson nos contou que esta engenharia “engana” o labirinto – órgão que congrega as funções da audição e do equilíbrio – afim de promover uma realidade mais atraente. Em resumo, depois de alguns segundos em prova, o operador esquece do equipamento, focando sua atenção na pilotagem e, evidentemente, nos efeitos físicos da mesma, sem perceber que aquela redoma de aço está literalmente colocando seu corpo para cima e para baixo, mas sim simulando fisicamente a reação corporal como dentro do carro de verdade.

O sistema ainda proporciona um painel veicular real e dinâmico montado logo abaixo da tela (a unidade presente no Salão do Automóvel reunia o painel original de um modelo Peugeot), onde apresenta a velocidade do veículo, a rotação do motor, marcha atual e algumas outras informações e efeitos. Ou seja, a interação com o software de simulação é feita com um controlador, dotado de um volante com controle de posição por encoder e servo motorizado para gerar o feedback de vibrações e forças (montado no painel veicular), uma pedaleira com embreagem, freio e acelerador (montada na plataforma, logo abaixo do painel) e um câmbio de 6 marchas posicionais mais ré (posicionado ao lado do banco).

A fim de proporcionar experiência audiovisual, a esfera conta com um projetor 3D que gera a imagem de alta definição em um espelho convexo, para o ajuste da curvatura e depois em uma tela curva que cobre 90% do campo de visão do piloto, enquanto este fica imerso em um sistema de som 3D de alta definição com Surround de 7.1 canais.

Frio na barriga

Um ponto absolutamente incrível no equipamento foi entender que, quanto mais próxima for a realidade, menor será seu arrojo, mesmo que virtual. Afinal, disse um dia o tricampeão mundial de Fórmula 1 Nélson Piquet, que quanto maior for o tempo em que um piloto fica longe dos circuitos, mais cedo ele vai frear nas curvas quando voltar a pilotar. Assim, observamos claramente um detalhe importante em questão: por mais foco, concentração e disputa que um jogador tenha em seus consoles, ou até mesmo em simuladores instalados em suas casas, nada, até agora, consegue absorver tão bem a realidade das pistas quanto o Motion Sphere. Afirmamos isso porque durante nosso teste, foram poucas as curvas que freamos no limite, pois ainda no meio das retas, sabíamos que se o freio fosse usado de maneira mais agressiva, mais agressiva também seria nossa sensação. E por maior realidade e emoção que buscamos, o frio na barriga era cogitado centésimos de segundo antes de cada tomada de curva.

"A simulação de capotamento é um dos pontos mais interessantes do equipamento."

Capotamento

Uma das primeiras impressões aos que visualizam a esfera gigante é notar que ela deve fornecer ao operador 360 graus livres em ação. E a resposta é sim. A simulação de capotamento é um dos pontos mais interessantes do equipamento. Porém na maioria dos eventos em que o Motion Sphere abre sua exposição e “test-drive” aos visitantes, sua programação é limitada para giro reduzido do eixo, contando que nem todos estariam preparados para virar de cabeça pra baixo caso fosse correspondido algum acidente virtual durante sua participação.

Porém é aí que entra a verdadeira face do simulador. Afinal, simular é apresentar a “quase realidade”. E porque não desenhar a futuros motoristas a experiência de colisões? Sem riscos, mas com sensações corporais de impacto, o Drive Sphere é um programa que também pode ser instalado no equipamento, direcionado para auto escolas, com interação física em simulação próxima a força 7.3g ou 71.5m/s2 (metros por segundo ao quadrado), com tempo de resposta de 5ms (ou 200 atualizações por segundo).

Quero um!

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Não é barato. O Motion Sphere custa 95 mil Reais, requer espaço e estrutura para aguentar suas duas toneladas, além, é claro, de uma abertura para manutenção. Mas enquanto você decide se compra ou não, nós da Brasil Gamer vamos situar os leitores sobre onde as unidades estarão presentes, afim de oferecer alguns testes. Fiquem ligados!

Fonte: Brasil Gamer